Paula Oliveira e os cortes contra a direita.
Está hoje em dia na imprensa nacional que a brasileira "Paula Oliveira teria confessado a farsa", segundo a mídia suíça. A brasileira ficou hospitalizada por seis dias depois de alegar ter perdido os bebês em conseqüência de um ataque de três supostos neonazistas, na semana passada, uma versão contestada desde o início pelas autoridades suíças. Os "neonazistas" fariam parte do SVP, sigla de um dos principais partidos políticos suíços (Centro da União Democrática, em livre tradução).
"Uma facção do partido tem uma posição muito dura em relação à questão da imigração. Um grupo é contrário ao referendo que pode dar mais abertura a imigrantes no país. Acreditam que o aumento da imigração tem trazido mais problemas, como a concorrência por empregos e a piora no serviço de saúde e na criminalidade", disse a vice-cônsul da Suíça no Brasil.
Mas a história não colou, apesar de autoridades brasileiras não hesitarem em atacar a Suíça e a bandeira nazista aparecer no site MSN e em vários jornais impressos. No dia 18 de fevereiro, a emissora Tele Zurich informou que a advogada brasileira Paula Oliveira já teria confessado à polícia que inventou o caso da agressão por neonazistas. A informação foi dada também pelo jornal Welt Wache. Citando fontes da polícia, os dois veículos informam que a advogada teria confessado inclusive ser autora dos ferimentos na própria pele. Paula teria informado que comprou o estilete numa loja chamada Ikea. Os motivos pelos quais a brasileira teria inventado o ataque não foram revelados pela mídia suíça.
A Justiça de Zurique, na Suíça, abriu processo penal contra Paula por suspeita de falso testemunho à polícia local. Segundo o Ministério Público de Zurique, a denúncia ocorre por ela ter alegado estar grávida, quando exames provaram o contrário. Agora a história mudou, e xenófobos são os brasileiros. Os jornais suíços fizeram um duro ataque contra o Brasil, mesmo sem saber o resultado final das investigações no caso da advogada brasileira Paula Oliveira, que diz ter sofrido um aborto após ser agredida por um grupo de skinheads em Zurique.
O periódico "Neue Zürcher Zeitung" ironiza o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alerta que a mídia brasileira "regularmente publica notícias de fatos totalmente inventados, acusações que já destruíram a vida de outras pessoas". Segundo laudo médico emitido pela polícia suíça, Paula não estava grávida. De acordo com o jornal, a gravidez inventada seria uma técnica comum no Brasil para mulheres que querem pressionar seus maridos.
Para o NZZ, o Brasil seria um dos países mais xenófobos do mundo. "O país tropical está, de acordo com sondagens internacionais, entre os Estados com maior índice de xenofobia: 72% são, segundo pesquisa, contra a recepção de estrangeiros", comenta a publicação.
Mesmo suspeitando que o ataque fosse forjado, Nova Offensiva publicou um artigo sobre o caso, consultando o professor Marcus Ferreira, que em março estará à frente de uma série de palestras na sede do NIERJ. Na oportunidade, ele afirmou: "logo irão fazer correlações com o movimento nacionalista brasileiro, mesmo não estando provado o ataque, vamos nos posicionar, vamos dar um recado". E o recado foi dado: "Que todo integralista (...) abandone qualquer sentimento de simpatia por este ideal racista".
Novamente consultado, agora com o caso quase elucidado, ele vai mais longe: "independente de ter sido fraude ou não, um brasileiro que mancha a imagem de seu país no exterior, deve ser considerado um criminoso, como outro qualquer. Agora a Suíça nos chama de xenófobos, o que é uma inverdade. Mas como se defender, se for provado que a brasileira mentiu?".
Não é a primeira vez que uma mulher se mutila acusando nacionalistas. Há cerca de um ano, Rebecca Katzschmann era uma mártir. A mídia ovacionava o sacrifício da jovem. Em novembro de 2007, ainda menor de idade, a candidata à heroína dos tempos modernos teria salvado uma menina de seis anos de um “ataque de nazistas”. Eles estavam, segundo ela, vestidos com “jaquetas-Bomber do NSDAP” e armados com lâminas de barbear, quatro “neonazistas” investiram contra Rebecca e, por assim dizer, o ponto auge do ataque teria culminado com a marcação de uma suástica no seu quadril.
A polícia revistou inúmeras residências à procura dos responsáveis pelo crime. Ao final, a própria garota estava frente à justiça com sua sangrenta fantasia e foi condenada no último dia 14 de novembro, em 2008, a 40 horas de trabalho comunitário. Tudo mentira, julgaram os juízes do Tribunal de Hainichen. Rebecca se revelou a perfeita embusteira. Um laudo médico descobriu que fora ela mesma a autora dos cortes formando uma suástica.
E os quatro “neonazistas”? Eles também não existiram, assim como tão pouco a menina de seis anos. O que existiu de fato foi o prêmio da "União para democracia e tolerância contra a violência da Direita", em primeiro de fevereiro, no momento em que até então não havia mais dúvidas quanto à história da suposta heroína.
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